__________________________________________________________________________________________ Sem spoilers
Não há dúvidas: mantive sim um certo preconceito com "Starters". Primeiramente pela capa, achava-a exagerada demais, talvez ressaltando a suposta qualidade ruim do enredo. Tampouco a quote de marketing na capa - que não está na original -, incitando os fãs de Jogos Vorazes a lerem o mesmo despertou algo para que eu viesse a experimentar a escrita de Lissa Price. E essa procrastinação indevida só foi eficaz para provar o quanto estava errado. É uma obra prima pela qual me afeiçoei tanto quanto o primeiro livro da trilogia de Suzanne Collins - irônico, não? - e isso deve significar alguma coisa. E nada irá obstruir esse buraco de arrependimento de não tê-lo vivenciado antes, apenas mais uma grande estupidez literária de minha parte. Espero que não cometam o mesmo erro após ler esta resenha, caros amigos.Minha inquilina estava em algum ponto do prédio. Estava sentada em uma cadeira como a minha. Em pouco tempo, ela estaria controlando meu corpo como se fosse eu.Callie perdeu os pais quando a Guerra dos Esporos varreu todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Ela e seu irmão mais novo, Tyler, estão se virando, vivendo como desabrigados com seu amigo Michael e lutando contra rebeldes que os matariam por uma bolacha. A única esperança de Callie é a Prime Destinations, um lugar perturbado em Beverly Hills que abriga uma misteriosa figura conhecida como Velho. Ele contrata adolescentes para alugar seus corpos aos Enders - idosos que desejam ser jovens novamente. Callie, desesperada pelo dinheiro que os ajudará a sobreviver, concorda em ser uma doadora. Mas o que parecia ser a solução é apenas o começo de grandes descobertas... E Callie terá que lutar para tentar sobreviver.
Minhas chances de fugir eram tão pequenas que provavelmente não existia uma fração que pudesse descrevê-las.
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| Lissa Price |
Ele começou a gritar enquanto amarraram uma correia ao redor de seus pulsos e do peito, implorando-lhes que o deixassem ir embora. Os inspetores ignoraram os apelos do garoto, inclinando-o para a frente e segurando a correia sobre os ombros para arrastá-lo enquanto se afastavam do lugar. Os calcanhares do garoto arranhavam o chão, e cada irregularidade no pavimento era pontuada por um grito.A protagonista de Callie Woodland - ou Winterhill, se você já leu o livro - não remete a defeitos, pela naturalidade com que lida com os problemas que surgem à medida que sua vida deteriorada é tragada pelos objetivos moralmente discutíveis que a cercam. Ela teme pela própria vida como qualquer um temeria em seu lugar e não se arrisca apenas a fim de servir como a boa heroína do texto. Acompanhamos uma Callie que expande sua mente ao decorrer da jornada, não subjulgando a inteligência do ledor com atos pouco críveis ou dramas românticos por demais idealizados. Ela, entretanto, não se deixa intimidar pelos desafios e surpreende pela sua força e determinação quando o assunto lhe diz respeito e desperta os mais variados sentimentos nos que leem seus relatos. Não consegui não apreciar uma personagem tão bem equilibrada entre a ficcionalidade necessária de um livro como tal e a autenticidade de não cair em insipidez.
Era como se houvessem capturado um animal.
Quando saí do prédio, o ar fresco do outono atingiu meu rosto. Inspirei aquele ar conforme andava por entre a multidão de Enders que enchia a calçada. Acho que fui a única pessoa que recusou a oferta [...], a única que não caiu naquela conversa de vendedor. Mas eu sabia que não devia confiar nos Enders.A outra variedade de personagens não deixa a desejar e não há desperdício em meio ao que está acontecendo, porém é evidente que não há espaço para que se crie algo além do foco em que foram criados, pois esse é o show de Callie, no final das contaas. Vemos que há todo um cuidado para formar as respectivas personalidades pensando em como elas a afetariam; como Tyler com seu jeito frágil e acriançado que sucinta em si a vontade de protegê-lo e salvá-lo e Blake, o possível amor que surge em meio ao complicado turbilhão de mudanças em sua - talvez não tão sua - vida, fazendo-a descobrir mais de si mesma, mesmo quando não se permitia perder o alvo. São ótimas descrições, um estilo conciso que não decai de ritmo e faz a leitura passar mais depressa do que gostaríamos.
Ele se afastou com um sorriso infantil no rosto, como uma criança de 5 anos em um parque de diversões que acabou de ganhar um peixe-robô dourado.A diagramação da Novo Conceito, nossa parceira que cedeu um exemplar, é um tanto quanto curiosa e a capa choca pelo seu padrão sem igual, com alto-relevo nas reentranças dos chips e oo brilho prateado que não esmorece. O já familiar excelente trabalho de tipografia da editora, com duplo espaçamento e letras fortes é simples e satisfaz. Mesmo sem contar o valor conteudista, é um lindo volume para se ter na estante. Mas não se esqueça de lê-lo, é claro.
Será que Cinderela chegara a cogitar a possibilidade de confessar a verdade para o príncipe na noite em que se divertira com o belo vestido no baile? Será que chegara a pensar em dizer que, ah, por falar nisso, Príncipe, a carruagem não é minha, sou apenas uma criada suja e descalça e essa aparência não vai durar muito tempo? Não. Ela tinha aproveitado cada momento. E fora embora discretamente depois da meia-noite.
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| "Enders", a continuação de "Starters" |
- Temos muito trabalho a fazer. - Doris colocou a mão em minhas costas, guiando-me em direção a uma porta dupla. - Você não vai nem conseguir se reconhecer quando terminarmos.
- É disso que eu tenho medo.
Título: Starters.
Autores: Lissa Price.
Editora: Novo Conceito (cortesia).
Número de Páginas: 368.
Tradução: Ivar Panazzolo Júnior.
Autores: Lissa Price.
Editora: Novo Conceito (cortesia).
Número de Páginas: 368.
Tradução: Ivar Panazzolo Júnior.
















