sábado, 26 de julho de 2014

Bookcast #3


Terceira edição do Bookcast! Dessa vez falamos de J.K. Rowling voltando a escrever sobre Harry Potter, o filme de "Quem é você, Alasca?", os dois teasers de "A Esperança - Parte 1" e muito mais. Não sabe o que é? Clique aqui e aqui para assistir os anteriores!

Envie sugestões de notícias e temas: bookcastfeliz@gmail.com

Links mencionados:

- Artigo da Rita Skeeter traduzido: 
http://bit.ly/traducaoartigoharrypotter 

- Links dos teasers de A Esperança - Parte 1 
Teaser 1   https://www.youtube.com/watch?v=66VBs9HMp6E
Teaser 2  https://www.youtube.com/watch?v=vy0Km7SyBQQ

- Informações sobre a Bienal de São Paulo: 
http://www.bienaldolivrosp.com.br/ 

- Informações sobre a FLIP: 
http://www.flip.org.br/ingressos2014.php

E por favor, deixe seu feedback! Também se inscreva no canal, dê um like no vídeo e obrigado por assistir. Até o próximo - e que ele seja direto do Parque Anhembi!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Carne, osso e palavras: há como separar a vida e a obra?

Podemos separar a cultura produzida por alguém das ações que executa em sua vida particular?
___________________________________________________________________________________________
Fonte: Camilando
Essa discussão muitíssimo interessante foi reerguida pelo escritor Damien Walter em seu blog no site do The Guardian. Acabei por me encontrar entre os debates, pois há alguns dias adquiri os livros d'As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley e tamanha foi minha surpresa ao saber de seu envolvimento perturbador nesse contexto. 

Em 2014, a escritora norte-americana já falecida foi acusada de abuso sexual por sua própria filha, Moira Greyland, que afirma ter sido molestada dos 3 aos 12 anos. Greyland acrescentou dizendo que foi uma das responsáveis por acusar seu pai, Walter H. Breen, também por abuso sexual de crianças.

Marion Zimmer Bradley
"A primeira vez que ela abusou de mim, eu tinha três anos. A última vez, doze, e eu conseguia fugir. Eu pus Walter na cadeia por abusar de um menino. Tentei intervir quando tinha 13 anos contando pra minha mãe e Lisa, e elas apenas o fizeram se mudar para seu próprio apartamento. Eu vivia parcialmente em sofás por causa da saída de medicamentos controlados, orgias e o constante fluxo de pessoas entrando e saindo do nosso "lar". Nada disso deveria ser novidade. Walter era um estuprador em série com muitas, muitas, muitas vítimas (eu dei o nome de vinte e duas aos policiais), mas Marion era de longe bem pior. Ela era cruel e violenta, assim como bastante fora de si sexualmente. Não sou sua única vítima, nem todas as suas vítimas foram meninas."
- Greyland por e-mail à escritora Deirdre Saoirse (link).

Todos sabem - ou deveriam saber - que o(a) escritor(a) que lemos nas páginas não é aquele(a) que conhecemos em carne e osso. Tanto que, diversas vezes, conhecer nossos heróis culturais é uma tremenda decepção. Uma cantora em ascensão no palco pode ser a depravada gritando obscenidades no bar. O poeta que expressa beleza nos versos talvez seja um bêbado egoísta. Logo, nós frequentemente separamos o artista do ser humano, o ícone do real. Porém, quando os atos de nossos rockstars literários ultrapassam a linha do mau comportamento, entrando na indignação moral e ilegalidade, concluir essa quebra se torna muito mais complicado - quando não impossível.

O caso relembrou acusações póstumas a outros autores, tais quais as que seguiram Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas, desde que seu relacionamento com Alice Liddell - criança que inspirou suas obras - ficou sob suspeita após a publicação de uma biografia. J.M. Barrie, inventor de Peter Pan, é alvo de questionamentos há décadas acerca de suas reais intenções ao se aproximar da família Llewelyn Davies, que inspirou a criação de sua magnum opus. Bradley, aliás, possuiu vital importância à comunidade de ficção científica americana, estando por três meses dentre os bestsellers do New York Times e se consagrando uma das escritoras mais lidas no mundo todo.

E não é somente no meio literário que ficamos nesse tipo de situação. O Vaticano excomungou mais de 840 padres por alegação de abuso infantil em dez anos. Chris Brown perdeu fãs e ganhou a antipatia de inúmeros após o escândalo da violência doméstica contra Rihanna. Muitos observam que apoiá-los/lê-los afora suas posições ou atos envia uma mensagem implícita de que suas práticas são toleráveis. Ao mesmo tempo, há os que argumentam que o valor do trabalho pode ser distanciado de seu criador, logo somos capazes de reprovar o escritor sem condenar o escrito.

Eu ainda lerei As Brumas de Avalon, feito outros ledores que o farão depois de mim. Brown continuará com sua base de fãs e ouvintes cantarolando suas músicas. Católicos permanecerão indo às missas. O debate vai prosseguir e a dúvida de qual argumento abraçar, também.

"The rain it raineth every day" - Leonard C. Taylor
___________________________________________________________________________________________
Esse artigo é uma adaptação e tradução livre do texto de Damien Walter para o website do jornal The Guardian (link). Seu teor no presente blog é puramente reflexivo e não reproduz julgamentos de valor. 

sábado, 5 de julho de 2014

Bookcast #2


Segunda edição do vlog que eu, Gabi, Nanda e Gabriel confabulamos. Dessa vez, comentamos a vinda de Cassandra Clare ao Rio, a possibilidade de você se tornar um personagem n'As Crônicas de Gelo e Fogo, o universo expandido de Star Wars e muito mais!

Envie sugestões de notícias e temas: bookcastfeliz@gmail.com

Links mencionados:

- Mais informações da vinda da Cassandra Clare ao RJ: 
https://www.facebook.com/events/456626294482441/

- Vire personagem na série As Crônicas de Gelo e Fogo:
http://www.prizeo.com/prizes/georgerrmartin/a-wolf-sanctuary-tour-and-helicopter-ride

- Mais informações do parque de Harry Potter: 
https://www.universalorlando.com/Home.aspx

Não se esqueça de deixar seu feedback, se inscrever no canal, clicar em Gostei no Youtube caso tenha curtido - se não, basta indicar aos inimigos - e obrigado pela companhia e paciência. Até a próxima - e que ela seja antes do que você imagina!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

[Resenha] Irmãos Grimm - Once Upon A Time: Uma Antologia de Contos de Fada

"O paraíso é um conto de fadas para pessoas com medo do escuro."
___________________________________________________________________________________________
                                                                                                                                                                                       Stephen Hawking

Os mais assíduos no blog talvez já tenham reparado o selo em forma de maçã na coluna à direita. Ela se refere a um fã-clube/grupo no Facebook que criei para fãs da série Once Upon A Time, a qual acompanho. Em abril desse ano, fizemos o primeiro evento do seriado em terras brasileiras, com o apoio da Disney Brasil, da Livraria Travessa e também da Editora Planeta, que publica os livros oriundos da série por aqui. Ao enviar alguns livros para sorteio no encontro, aproveitei para solicitar um exemplar a fim de resenhá-lo e trazer de volta à minha rotina a atemporalidade dos contos de fadas originais dos Grimm.

Antigamente, quando os desejos ainda se cumpriam, havia um rei cujas filhas eram todas formosas.

Era uma vez. Três palavrinhas que, depois que demais de dois séculos, ainda conseguem transportar os leitores para cenários de mistérios, intrigas, traição, vida e morte, amor e abandono. Em seu esforço para preservar a cultura popular, sem querer os Irmãos Grimm criaram um marco atemporal e eterno da literatura ocidental. Com este livro de contos de fadas ilustrado você poderá reencontrar as histórias e os personagens que aprendeu a amar.
- Meu amor por ela é tão grande que, se todas as folhas das árvores fossem línguas, não seriam capazes de expressá-lo!
Seria bastante impreciso avaliar em termos de escrita e narratividade uma obra que está longe de ser considerada uma tradução das fábulas originais, histórias essas que além de possuírem inúmeras versões, projetam-se em controvérsias sobre de onde, de fato, vieram. Origens à parte, o estilo empregado é ótimo; uma leitura tranquila, rápida e simples como os contos de fadas sempre nos pareceram, com bem mais floreios nos enredos do que no texto em si. Erros de revisão crassos e problemas de coesão textual - especificamente em referências e reiterações lexicais -  aparecem logo no início do livro e não reparei em outros dali em diante, porém me decepcionou um pouco. Um belo trabalho estética e materialmente falando deve coincidir com a qualidade do conteúdo.
- Caçador [...], em que está mirando?
- A três quilômetros daqui [...] há uma mosca no galho de um carvalho. Pretendo acertar uma bala no olho esquerdo dela.
Entre rever personagens que sempre ouvimos falar e outros quase desconhecidos do imaginário popular, ter acesso a essas fábulas tão cruas, autênticas, livres da maior parte de acréscimos de terceiros é de alegrar qualquer leitor. Exatamente devido à transparência que têm, certas histórias podem trazer surpresas pelo teor mais visceral do que estamos acostumados, com direito a mutilações, decapitação, matricídio e crueldades tão contemporâneas quanto os noticiários das cidades. Mas acredite, isso só aumenta a diversão das curtas narrativas e em nada atrapalha ou se deixa atrapalhar por quaisquer visões que tenhamos de suas adaptações mais aprazíveis.
[...] E sua raiva era tanta que ele bateu com o pé direito no chão com tal força que a perna afundou até o joelho. Então ele agarrou o pé esquerdo com as duas mãos e, furioso, puxou-o até se rasgar ao meio. E esse foi seu fim.
As mensagens por detrás dos contos trazem as morais que, teoricamente, deveriam formar as crianças desde a infância, porém algumas têm um valor intimidador maior que didático. Por isso, recomendo uma leitura prévia antes de pôr seus filhos para dormir ao som dos Grimm. Apesar de inoxidáveis, as narrativas produzem um caráter educacional menos eficaz que várias alternativas feitas especificamente para isso hoje em dia. Os tempos são outros, as importâncias mudaram, mas o entretenimento, no mínimo, continua o mesmo.
- Se não fizer o que peço - o lobo ameaçou -, eu vou comer você.
Com medo, o moleiro obedeceu. Isso mostra de que são feitos os homens.
A edição da Planeta em capa dura revigora a nostalgia dos grandes clássicos que embalaram tantas infâncias, além de destacar o design incrível do volume. Com páginas resistentes, tipografia agradável, espaçamento duplo - embora haja desvios em prol da adequação de parágrafos por certas vezes - e ilustrações pontuadas nos momentos certos, é daqueles que fica bem na estante de qualquer maneira, principalmente lido. Aposto também que um número superior de gravuras não iria ser um problema para ninguém.
Henrique sofreu tanto quando seu mestre foi transformado em sapo que teve de colocar três bandagens de ferro no coração, para impedi-lo de explodir de angústia.
Um livro que sobeja a necessidade dos fãs de Once Upon A Time ou dos contos de fada, pois agrega valor na importância de não se deixar esquecer. As fábulas podem estar em baixa, os finais totalmente felizes não são tão escritos atualmente, contudo as lições que vários dos textos ressaltam são imprescindíveis para a formação de um ser humano. Ele(a) não precisa crer em lobos transgêneros, espelhos terapêuticos, príncipes imaculados, tampouco na indefensabilidade feminina; basta que sua imaginação, vez ou outra, se lembre do velho Era Uma Vez - esquecimento por maçã envenenada não é desculpa.
Estou lhe contando isso porque é uma pena que você não estivesse lá.
Título: Once Upon A Time: Uma Antologia de Contos de Fada.
Autor: Irmãos Grimm.
Editora: Planeta (parceria).
Número de Páginas: 272.
Tradução: Elisa Campos.
Ilustração: Kevin Tong.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

[Resenha] John Dixon - Fênix: A Ilha

"Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença".
___________________________________________________________________________________________
                                                                                                                                                                                            Anatole France
É isso mesmo [...] O mundo é uma grande piada, e você é a frase de efeito...
Quem me conhece, sabe da minha paixão por seriados. Mesmo em tempos tempestuosos de rotinas apertadas, separo alguns minutos para assistir minhas séries. Fênix: A Ilha, curiosamente, deu origem à uma produção que não acompanhei, a já cancelada Intelligence. Com uma temática trivial e excelentes críticas internacionais, coloquei-me à risca de lê-lo sem pretensões apenas para me deparar com um enredo bastante prudente e pouquíssimo excitante.
- [...] A vida é uma série de escolhas. As pessoas fingem que essas escolhas são simples, cento versus errado, bom versus mau, cara ou coroa, você escolhe, mas, no mundo real, enfrentamos dilemas. Não há respostas simples. Nada é preto ou branco, tudo é cinza.
Sem telefone. Sem sms. Sem e-mail. Sem TV. Sem internet. Sem saída. Bem-vindo à Ilha Fênix. Na teoria, ela é um campo de treinamento para adolescentes problemáticos. Porém, os segredos da ilha e sua floresta são tão vastos quanto mortais. Carl Freeman sempre defendeu os excluídos e sempre enfrentou, com boa vontade, os valentões. Mas o que acontece quando você é o excluído e o poder está com aqueles que são perversos?
Um deles havia lhe dado um chute, o que o pegou de suspresa. Gritos e flexões eram uma coisa... mas chutes? Isso era contra lei!
Ou, pelo menos, era nos Estados Unidos.
Aqui era a Ilha Fênix.
Toda a esfera criativa que envolve uma ilha, seus mistérios e as situações possíveis dentro dela é uma das banalidades mais bem sucedidas do entretenimento em geral. No livro em questão, essa atmosfera claustrofóbica foi meu ponto preferido da leitura, de tão bem trabalhada que é. Dixon cria um ambiente verossímil e faz com que as ações e os erros de seus personagens soem plausíveis tanto quanto. A narração em terceira pessoa externaliza todas as cenas positivamente e funcionou muito bem para variar os pontos de vistas - por mais que, inicialmente, essa troca seja bem desnecessária e vá ganhando notabilidade do meio para o fim da história.
Num momento como esse, a preocupação era tão perigosa quanto a esperança. Outra lição que havia aprendido no boxe: se você quer ganhar, não pode se deixar cegar nem pelo medo nem pela esperança. Tem de ver as coisas como elas realmente são e fazer as escolhas e ajustes certos.
Carl é um protagonista interessante, com seu dilema moral de não se importar com outros, mas ter o desejo incontrolável de protegê-las de quaisquer injustiça. Ainda assim, combinando com o livro em si, ele é, apenas, ok. O tom da obra fica no meio-termo, sem fracassar na falta de qualidade, contudo sem alavancar uma experiência estimulante de leitura - e tanto o principal, quanto os outros personagens vão pelo mesmo caminho. Tudo é ok.
- [...] Ainda assim, você tem esse potencial dentro de si. Mesmo seus atos criminosos demonstram certa nobreza, como se você seguisse um código moral mais alto que o do resto da humanidade. Mas não se engane: são crimes.
A profundidade do enredo me surpreendia por diversas vezes, pontuando os ensinamentos de luta de Carl e seus reflexos nas decisões que havia de tomar e no que ele próprio expressava em personalidade. Entretanto, ao invés de investir pesadamente nisso e levar o texto a um âmbito mais psicológico ou artificializar e aplicar o tempo textual excedente em momentos que deixassem o livro mais arrebatador e/ou instigante, a impressão que tive foi da opção do autor em ficar em cima do muro. Nem lá, nem cá; no meio. 
- Se o Doutor [...] tivesse nascido em Londres ou Detroit, sem dúvida teria chegado às fileiras dos mais respeitados médicos e cientistas e se estabelecido de forma mais convencional. Infelizmente para ele, e mais ainda para a sinfonia de vítimas, nasceu num lugar que valorizava o poder acima da ciência. Às vezes, a única diferença entre um vencedor do Prêmio Nobel e um criminoso de guerra é a geografia.
Embora a narrativa tenha sido bem fechada, desconfio da necessidade de se prolongar tanto a história, afinal, alguns momentos prescindíveis poderiam ser encurtados ou eliminados sem qualquer perda qualitativa - o grande espaçamento das páginas também colaborou para o sentimento de extensão do enredo. A diagramação do exemplar cedido por nossa parceira Novo Conceito, ainda assim, está resistente, bem trabalhada e a arte no começo de início de cada novo capítulo foi um nuance saudável aos olhos. A ação recorrente não tirou a linearidade da obra, as cenas são equilibradas e coerentes com os variados propósitos que Dixon parece ter. A indiferença que tive acerca da história atingiu o material desta resenha, afinal, não há muito o que falar ou debater sem ser redundante.
- Para as pessoas comuns, possuir coisas bonitas fornece o único senso de poder que vão conhecer em toda a sua vida. A propriedade é venenosa [...] Nunca acumule coisas apenas para tê-las e nunca confunda posses com poder.
Não deixo de recomendar a leitura, pois além da boa escrita, do final exemplarmente delineado e da total dispensabilidade de uma continuação - raridade nos YAs de hoje em dia -, é uma leitura saudável e despretensiosa aos que desejam entreter-se com um texto fácil repleto de ação, jovialidade, tensão e impasses quando o assunto é a própria sobrevivência. Mas é ok.
Podem me bater por trás e me espancar enquanto estou inconsciente e me trancar nesta jaula, mas não podem determinar quem eu sou.
Título: Fênix: A Ilha.
Autor: John Dixon.
Editora: Novo Conceito.
Número de Páginas: 336.
Tradução: Camila Fernandes.